LEITURA EM 2 MINUTOS


O que é valioso demanda tempo, dedicação, atenção. Me vi diante dessa realidade na minha casa nova, e confesso a vocês, foi um pouco frustrante. Quando visitei a casa com o proprietário, me encantei à primeira vista. Achei tudo perfeito: o chão e paredes branquinhas, o banheiro com box do jeitinho que sonhava, o tamanho perfeito para uma pessoa sozinha.  


- Negócio fechado?

- Sim, vamos fechar, eu amei!


Tudo alinhado, burocracias superadas. Chegou o dia de pegar as chaves, foi então, que o meu primeiro olhar apaixonado começou a descortinar, reparei em outros detalhes - na pia de inox que não estava legal, na posição das tomadas, nas janelas que ainda havia coisas do antigo inquilino. Caramba! Como eu não vi isso antes? A frustração bateu à porta, mas desistir não era uma opção.  


Sentei no chão clarinho da minha cozinha. Respirei. Comecei a listar todas as mudanças que precisava fazer, além dos móveis, eletros e a decoração para imprimir minha identidade, para me reconhecer nesse lar. Obviamente, um detalhe ou outro precisarei me adaptar, tem coisas na vida, e na casa que não dar para mudar. Mas essa casa ainda é perfeita para mim! 


E assim, como uma casa nova, é o amor. Talvez por isso, tenha surgido o bordão “o amor é cego”, afinal quando encontramos alguém especial, as borboletas no estômago marcam presença e a sensação de completude nos preenche, que os detalhes também passam despercebidos. 


E é bem verdade que não é nada romântico, como costumam ser os primeiros encontros, e passa bem longe da idealização de perfeição. Mas ainda assim, muitas vezes vale a pena, ainda é a pessoa amada das borboletas no estômago, ainda é a pessoa amada do ensaio fotográfico, a pessoa que nossos olhos celebram ao encontrar. 


Como fotógrafa de casamento, desejo que assim como eu não desisti da minha casinha, você não desista da sua história de amor. Não o amor de conto de fadas, mas o amor real, que se constrói nos detalhes. Na beleza, mas também nos desafios do ordinário, da vida comum. Parafraseando Santa Teresa “é justo que muito custe o que muito vale”, assim são os sonhos, assim é, o amor. 


Até a próxima! 

Andreia Moura (Deia)